À pergunta sobre se, por gostar tanto da sua liberdade, se contribui em demasia para a nossa solidão, só me apetece responder…NIM.
Como em tudo, é preciso algum equilíbrio nas nossas opções e atitudes.
Ou seja, se o “Amor à liberdade” se manifestar em excesso, isso poderá levar com muita frequência para a solidão. E quase nunca, esse “amor pela liberdade” tem como objectivo a solidão. Antes, manifesta-se em virtude de um temor latente em perder pedaços da personalidade, perder voluntarismo e à vontade ou até ser de certa forma subjugado à personalidade de outrem, perdendo espaço de manobra ou vivência.
No entanto, o contra-ponto é que, em solidão, dificilmente poderemos manter um nível de sanidade que nos permita evoluir como seres de luz.
È muito fácil, devido à natureza humana, passar do oito para o oitenta, utilizando uma frase popular.
E sem essa noção efectiva, sem nos lembrarmos diariamente disso na auto-análise constante e momentânea que temos obrigação e responsabilidade de fazer a cada momento/atitude nossas, dificilmente vamos conseguir racionalizar o suficiente. E racionalizar o suficiente para, adicionando esse dado à nossa auto-análise, tentar perceber se já estamos a passar o limite do desejável (desejável para nós, como seres com anseios, virtudes e desejos) tentando na medida do possível “parar a tempo”
Uma relação, desde que embebida do equilíbrio necessário para isso, pode perfeitamente conviver com o desejo de liberdade, pois permite-nos manter um espaço próprio onde nos revemos e podemos deixar observar no espelho da nossa alma, mas não nos conduzindo para a solidão ao nos permitir também partilhar a nossa forma de estar e de ser, as nossas atitudes e demandas, com alguém que as valoriza por gostar de nós como um todo, como um ser completo.
Essa aceitação de parte a parte, leva a que ambas as partes se revejam de forma mais completa. Infelizmente, o normal é que as pessoas só consigam observar as outras, pelas partes que compreendem ou gostam, o que inviabiliza o relacionamento verdadeiro onde ambos não têm medo de se mostrar “nus”, em todas as suas debilidades e virtudes, sem terem o medo intrínseco de serem julgados através de preconceitos ou estereótipos.




